Polícia Federal prende bando cibernético
Fonte: Na Hora Online – http://www.nahoraonline.com.br/ler_noticia.asp?cod=3785
Mais uma organização criminosa envolvendo jovens de classe média foi desarticulada ontem. A Polícia Federal prendeu 30 pessoas, todas com idades entre 20 e 25 anos, em Minas Gerais, Bahia e Santa Catarina, acusadas de participação em uma quadrilha especializada em crimes cibernéticos, lesando correntistas e bancos de todo o País. A PF estima que o crime era praticado há pelo menos cinco anos. Em oito meses de investigação, os hackers teriam gerado um prejuízo de cerca de R$ 14 milhões. Nesse período, foram identificadas aproximadamente 200 vítimas em todo o Brasil, mas os policiais federais acreditam que o número de pessoas lesadas é bem maior.A Operação Ilíada visava o cumprimento de 31 mandados de prisão – 20 preventivas e 11 temporárias – e 34 de busca e apreensão expedidos pela 4ª Vara Federal Criminal na capital mineira. Até o final da tarde apenas um suspeito permanecia foragido.
A maior parte das prisões foram efetuadas em Betim – considerada a base da quadrilha. Cinco suspeitos foram presos em Belo Horizonte. A PF cumpriu também mandados de prisão em outras oito cidades mineiras. Uma pessoa foi presa em Joinville (SC) e outra em Porto Seguro (BA).
Mensagens simuladas
A operação arquitetada pela quadrilha era complexa e ocorria quase na sua totalidade no ambiente virtual. O grupo enviava e-mails em nome de empresas, além de mensagens simuladas como notícias relevantes para as vítimas. Depois de abertos, os e-mails instalavam um vírus no computador do usuário sem que este tivesse conhecimento. Quando a vítima acessava seus dados bancários, os criminosos obtinham acesso às contas correntes e realizavam transferências, saques e pagamentos indevidos.
De acordo com a PF, o dinheiro desviado era depositado na conta de laranjas e dividido entre integrantes da quadrilha. “Pelas investigações concluímos que cada hacker subtraía a quantia de R$ 600 mil por ano, ou seja, R$ 50 mil por mês. O prejuízo total chega a mais de R$ 14 milhões”, disse o delegado Felipe Baeta.
A quadrilha, conforme as investigações, lesou clientes de várias instituições financeiras, entre elas a Caixa Econômica Federal. “Desde donos de contas vultosas, donos de empresas, até pessoas mais humildes”, observou o delegado. “Eram jovens de classe média, que se dedicavam exclusivamente para esse delito. Ficavam quase integralmente dedicando seu tempo para essa prática”.
Apontado como o líder do esquema, Guilherme dos Santos Alves, 23 anos, foi preso em Juiz de Fora. Ele mora em Betim, mas visitava parentes. Guilherme e outros 11 hackers foram presos preventivamente. “Ele conversa com hackers do Brasil inteiro trocando ferramentas”, afirmou Baeta. Os presos conduzidos até a PF em Belo Horizonte chegaram algemados, tentando esconder os rostos. Familiares se mostravam irritados e evitaram a imprensa. Um parente de preso chegou a discutir com um fotógrafo.
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